Ap�s um per�odo de quedas, de 2014 a 2016, o setor de m�quinas agr�colas voltou a apresentar crescimento nas vendas, desde o segundo semestre do ano passado. Para 2017, a expectativa � de crescimento de 10% a 15%, conforme entidades que representam a ind�stria. Esse foi o tema que abriu, nessa ter�a-feira, o ciclo Debates Correio do Povo Rural, realizado na Casa do Correio do Povo/Grupo Record RS, na Expodireto Cotrijal, em N�o-Me-Toque, com a presen�a de representantes de empresas do setor. As pr�ximas edi��es dos debates ocorrem nesta quarta e quinta-feira.
O aquecimento na demanda tem sido percebido pela ind�stria do setor desde o final do ano passado e tende a se refletir nos neg�cios fechados durante a Expodireto Cotrijal. O mercado de tratores, por exemplo, fechou 2016 com queda de 4% nas vendas, mas uma rea��o come�ou a ser percebida nos �ltimos meses. Segundo o diretor comercial da LS Tractor, Andr� Rorato, a demanda chega a estar ?at� um pouco fora da curva?, j� que a venda de tratores tradicionalmente come�a a se acelerar apenas em mar�o. Ele ponderou, no entanto, que ainda h� lentid�o na libera��o de cr�dito, em especial nos bancos que dependem de recursos do BNDES. ?Isso deve melhorar. H� uma sinaliza��o do governo de aumentar as linhas de financiamento?, acrescentou.
A escassez de novas �reas para plantio no Rio Grande do Sul deve intensificar o desafio da produtividade, o que pode ser constatado especialmente no caso da soja ? que deve alcan�ar produ��o recorde nesta safra, mesmo em uma �rea praticamente est�vel. Para Vanderlei Zart, representante comercial da S�o Jos� Industrial, a tecnologia � um fator preponderante no aumento de produtividade. ?O que de fato vai fazer a nossa produ��o ano a ano � a agricultura de precis�o, em que voc� tem controle do que pode estar fazendo. A� est� o grande salto que estamos dando em produtividade?, observou.
Apesar da expectativa de retomada nos neg�cios e da import�ncia da tecnologia embarcada na produ��o agr�cola, a busca pela sustentabilidade das vendas ainda desafia o setor. Para Siegfried Kwast, diretor do Sindicato das Ind�strias de M�quinas e Implementos Agr�colas do RS (Simers), o setor vive uma esp�cie de ?efeito sanfona?, em que a falta de previsibilidade na economia prejudica os investimentos. ?Se o Brasil adotasse um plano safra plurianual de cinco anos, saber�amos que os juros s�o v�lidos para cinco anos, al�m das dota��es anuais do Moderfrota, do Moderinfra, e assim por diante?, defende.
Fatores como este fazem com que o pa�s, na opini�o de Kwast, esteja no n�vel quatro, de uma escala de zero a dez, em se tratando de tecnologia agr�cola. Conforme o dirigente, cerca de 40% dos produtores j� utilizam a tecnologia embarcada de ponta e a tend�ncia � de crescimento cada vez mais r�pido. Outro desafio citado por Kwast est� relacionado ao aspecto do desenvolvimento gen�tico das plantas. ?� medida em que as cultivares v�o se tornando mais produtivas, em contrapartida v�o se tornando mais exigente na nutri��o de planta, na defesa fitossanit�ria e tamb�m na quest�o de �gua, que � o ?ve�culo? que leva os nutrientes?, explicou. Kwast destacou ainda a posi��o do Brasil como pa�s exportador de tecnologia agr�cola, que se tornou uma refer�ncia para na��es de clima semelhante na Am�rica Latina, na �frica e na �sia.